INFLUÊNCIA DE ASPECTOS BIOPSICOSSOCIAIS NO COMPORTAMENTO DE EVITAÇÃO EM INDIVÍDUOS COM FRATURA DE ÚMERO PROXIMAL
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: A recuperação da fratura de úmero proximal está associada à redução do medo relacionado a dor, sendo importante investigar o comportamento de evitação de movimentos. OBJETIVOS: Investigar os aspectos biopsicossociais que influenciam o comportamento de evitação em indivíduos com fratura de úmero proximal. MÉTODOS: O estudo recrutou 105 indivíduos com fratura de úmero proximal, de ambos os sexos (60 mulheres, 45 homens) e idade média de 55,04 (±15,48 anos) do serviço de fisioterapia. Todos os indivíduos assinaram o Termo de Consentimento aprovado no Comitê de Ética (CAAE: 67472123.8.0000.5440). Os indivíduos responderam The Avoidance Daily Activities Photo Scale (ADAP) para comportamento de evitação, The Shoulder Pain and Disability Index (SPADI) para incapacidade no ombro, The Tampa Scale of Kinesiophobia (TSK-17) para cinesiofobia, The Pain-related Self-Efficacy Beliefs (PSEQ-10) para autoeficácia, The Connor-Davidson Resilience Scale (RISC-25) para resiliência, The Patient Health Questionaire (PHQ-9) para depressão e a escala Pensamentos Catastróficos sobre a Dor (PCS) para catastrofização da dor. As variáveis que mostraram potencial de associação (p < 0,20) ao comportamento de evitação na Regressão Linear (RL) simples foram incluídas na RL múltipla. Valores de Beta da regressão classificados como acima de 0,10, 0,30 e 0,50 representaram uma relação pequena, moderada e grande, respectivamente. RESULTADOS: As variáveis sexo, idade, tempo de lesão, autoeficácia, resiliência, depressão, catastrofização da dor e estado civil e social foram incluídas na RL múltipla. O modelo final da regressão linear múltipla explicou 34% (r2ajustado) do total da variação da pontuação da escala ADAP e mostrou pequena associação do comportamento de evitação com sexo (Beta = 0,223; p = 0,008), tempo de lesão (Beta = -0,285; p = 0,001) e estado social (Beta = 0, 165; p = 0,049). A pontuação da escala ADAP mostrou associação moderada com a autoeficácia (Beta = -0,464; p < 0,001). O sexo feminino aumenta a pontuação da ADAP em 9,7 pontos, enquanto o aumento de 1 mês no tempo de lesão, implica na redução de 2 pontos na escala ADAP. O fato do indivíduo ter parceiros, amigos ou familiares, aumenta a pontuação da ADAP em 8,3 pontos. Além disso, o aumento de um ponto na escala de autoeficácia PSEQ- 10, implica na diminuição de 0,79 pontos na escala ADAP. CONCLUSÕES: O comportamento de evitação em indivíduos com dor musculoesquelética é influenciado por fatores sociodemográficos e psicossociais, sendo mais acentuado em mulheres, em indivíduos com menor tempo de lesão e com vínculos sociais. Além disso, indivíduos com maior autoeficácia tendem a evitar menos atividades de vida diária. IMPLICAÇÕES: Os resultados reforçam a importância de abordagens terapêuticas centradas no modelo biopsicossocial, com ênfase no fortalecimento da autoeficácia e na avaliação do suporte social que pode contribuir para o menor engajamento do indivíduo em atividades de vida diárias. Intervenções que visem à redução do comportamento de evitação devem considerar estratégias diferenciadas para o público feminino, como ações precoces após a lesão. Programas que incluam componentes educacionais e comportamentais podem ser eficazes na modificação de crenças maladaptativas e na promoção de melhor engajamento funcional.Publicado
2025-08-31
Edição
Seção
Resumo
Licença
Autores do manuscrito deverão preencher e assinar a Declaração de Responsabilidades e Transferência de Direitos Autorais, que deverá ser anexada, pelo autor responsável pela submissão, no passo 4 do processo de submissão no sistema da revista (Clicar na opção “Browse”, selecionar o arquivo que deve ser inserido no formato pdf, clicar no botão “Transferir”, no campo “Título” digitar: Declaração de responsabilidades, depois clicar no botão “Salvar e Continuar” e prosseguir com o processo de submissão).Como Citar
INFLUÊNCIA DE ASPECTOS BIOPSICOSSOCIAIS NO COMPORTAMENTO DE EVITAÇÃO EM INDIVÍDUOS COM FRATURA DE ÚMERO PROXIMAL. (2025). Anais Do Congresso Brasileiro Da Associação Brasileira De Fisioterapia Traumato-Ortopédica - ABRAFITO, 5(1). https://seer.uftm.edu.br/anaisuftm/index.php/abrafito/article/view/2711