Prontidão psicológica e função autorreportada impactam o desempenho do salto vertical após reconstrução do ligamento cruzado anterior?
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: O desempenho nos testes de saltos verticais são métricas importantes que devem ser monitoradas durante a reabilitação e retorno ao esporte após a Reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior (RLCA). A plataforma de força é o padrão ouro para esse tipo de medição, mas possui menor acessibilidade pelo alto custo. Aplicativos como o My Jump Lab tem surgido como alternativa para avaliação do salto vertical no ambiente clínico. OBJETIVOS: Verificar a relação da prontidão psicológica e função autorreportada com desempenho do salto vertical ao final da reabilitação após RLCA. MÉTODOS: Foi conduzido um estudo transversal com pacientes de ambos os sexos que passaram por RLCA, independentemente do tipo de enxerto e que estivessem entre 6 e 24 meses de pós-operatório. Os participantes preencheram uma ficha de avaliação com características clínicas e antropométricas. Em seguida, realizaram um aquecimento de 5 minutos na bicicleta ergométrica. A avaliação do desempenho de salto foi através do aplicativo My Jump Lab, utilizando os testes single leg drop jump (SLDJ) e o single leg vertical jump (SLVJ). Foi utilizada a máxima altura do salto e o índice de simetria entre os membros (ISM) para análise. A função autorreportada foi avaliada pelo questionário International Knee Documentation Comittee (IKDC) e a prontidão psicológica foi avaliada pelo Anterior Cruciate Ligament-Return to Sport after Injury Scale (ACL-RSI), ambos traduzidos e validados para o português brasileiro. A correlação entre a variável dependente (salto vertical) e variáveis independentes (IKDC e ACL-RSI) foi analisada pela correlação de Pearson, assumindo significância de 5%. Este estudo foi previamente aprovado pelo Comitê de Ética Pesquisa (n. 6.846.530) e todos os participantes assinaram termo de consentimento. RESULTADOS: Participaram 80 indivíduos pós-RLCA, sendo 81,2% do sexo masculino. A altura do salto no SLVJ avaliada pelo My Jump Lab apresentou moderada a boa correlação com o IKDC (r = 0,41, p < 0,001) e com o ACL-RSI (r = 0,48, p < 0,001). A altura do salto do SLDJ apresentou fraca correlação com o IKDC (r = 0,38, p < 0,001) e moderada a boa correlação com o ACL-RSI (r = 0,42, p < 0,001). Correlação moderada a boa foi encontrada para o ISM do SLVJ com o IKDC (r = 0,43, p < 0,001) e com o ACL-RSI (r = 0,45, p < 0,001). A correlação entre ISM do SLDJ e os questionários foi fraca para ambos. CONCLUSÕES: A avaliação da altura do salto vertical pelo aplicativo My Jump demonstrou níveis adequados de correlação com medidas de desfecho autorreportadas após RLCA. Porém, apenas o índice de simetria entre os membros do SLVJ apresentou níveis adequados de correlação com medidas autorreportadas. IMPLICAÇÕES: A prontidão psicológica e a função autorreportada influenciam os resultados da altura do salto vertical avaliada pelo aplicativo My Jump Lab. Em relação ao ISM, as medidas autorreportadas influenciaram apenas o resultado do SLVJ. Dessa forma, a altura do salto avaliada pelo SLVJ e SLDJ e o ISM pelo SLVJ avaliados pelo My Jump são medidas de desfechos úteis para prática clínica devido à acessibilidade e fácil manuseio.