Existe um ângulo de proteção para fortalecimento do quadríceps em cadeia cinética aberta? Estudo com 100 pacientes com dor patelofemoral

Autores

  • MARCUS VINICIUS DOS SANTOS VIEIRA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)
  • RONIERI MELO BRILHANTE UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)
  • LIA MARIA AGUIAR NEVES UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)
  • ANA KARINE SILVEIRA NUNES UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)
  • RODRIGO CÉSAR BARROS CAVALCANTE UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)
  • DANILO DE OLIVEIRA SILVA SILVA LA TROBE UNIVERSITY
  • GABRIEL PEIXOTO LEÃO ALMEIDA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)

Resumo

CONTEXTUALIZAÇÃO: O fortalecimento do quadríceps-femoral em cadeia cinética aberta (CCA) segue a recomendação entre 90-45 graus de flexão do joelho devido menor estresse na articulação patelofemoral. No entanto, essa normativa é feita a partir de estudos biomecânicos com amostra variando entre 10-20 pessoas sem dor no joelho. Assim, não é possível determinar a real validade desses resultados em pacientes com dor patelofemoral (DPF). OBJETIVOS: Comparar a intensidade, localização e padrão de dor, presença de crepitação, pico de torque e preferência do paciente na extensão do joelho sem a sustentação de peso em diferentes amplitudes no dinamômetro isocinético em pessoas com dor patelofemoral. MÉTODOS: Foi conduzido um estudo transversal com 100 pacientes (69% mulheres) com DPF, entre fevereiro e julho de 2024. O pico de torque de extensão do joelho em CCA foi avaliado em um dinamômetro isocinético à 60grau/s nas amplitudes 0-45; 25-70 e 45-90 graus em pessoas com DPF. A intensidade da dor foi mensurada com a escala numérica de dor (0 a 10); localização e padrão de dor pelo mapa fotográfico do joelho; e crepitação e padrão da dor autorreportada; e pico de torque do quadríceps no dinamômetro isocinético. A sequência das três amplitudes de execução foi aleatorizada e, ao final, cada participante relatou a amplitude mais confortável. A Análise de Variância (ANOVA) one-way foi utilizada para comparação de variáveis numéricas e o qui-quadrado para variáveis categóricas, assumindo significância de 5%. O projeto foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa N. 6.888.986 e todos os participantes assinaram um termo de consentimento. RESULTADOS: As três diferentes amplitudes não demonstraram diferenças na intensidade (P = 0.10), localização (P > 0.05) e padrão (P = 0.4) da dor . Houve diferença significativa na presença de crepitação (P < 0.01), pico de torque do quadríceps (P = 0.001) e amplitude de preferência (P < 0.01). A amplitude 45-90 graus teve a menor frequência de relatos de crepitação (21%). As amplitudes 25-70 e 45-90 graus tiveram o maior pico de torque e a amplitude 45-90 graus foi a mais confortável para os pacientes (44%). CONCLUSÕES: Não foram encontradas diferenças significativas na intensidade, localização e padrão de dor durante extensão do joelho contra resistência em CCA entre as amplitudes 0-45, 25-70 e 90-45 graus em pessoas com DPF. A amplitude de 45-90 graus apresentou menor proporção de relato de crepitação (21%) e maior proporção de relato como amplitude mais confortável (44%), contudo, destacamos que 56% da amostra relatou conforto em outras amplitudes. A amplitude de 0-45 graus apresentou menor pico de torque do quadríceps. Agradecemos ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo financiamento desta pesquisa. IMPLICAÇÕES: O presente estudo demonstra que não há relação entre amplitude de movimento e presença, intensidade ou padrão de dor em pacientes com DPF. Isso sugere que o ângulo de proteção é paciente-dependente e a amplitude para fortalecimento do quadríceps deve ser prescrita considerando a sintomatologia e a preferência do paciente.

Publicado

2025-08-31

Como Citar

Existe um ângulo de proteção para fortalecimento do quadríceps em cadeia cinética aberta? Estudo com 100 pacientes com dor patelofemoral. (2025). Anais Do Congresso Brasileiro Da Associação Brasileira De Fisioterapia Traumato-Ortopédica - ABRAFITO, 5(1). https://seer.uftm.edu.br/anaisuftm/index.php/abrafito/article/view/2737