Existe um ângulo de proteção para fortalecimento do quadríceps em cadeia cinética aberta? Estudo com 100 pacientes com dor patelofemoral
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: O fortalecimento do quadríceps-femoral em cadeia cinética aberta (CCA) segue a recomendação entre 90-45 graus de flexão do joelho devido menor estresse na articulação patelofemoral. No entanto, essa normativa é feita a partir de estudos biomecânicos com amostra variando entre 10-20 pessoas sem dor no joelho. Assim, não é possível determinar a real validade desses resultados em pacientes com dor patelofemoral (DPF). OBJETIVOS: Comparar a intensidade, localização e padrão de dor, presença de crepitação, pico de torque e preferência do paciente na extensão do joelho sem a sustentação de peso em diferentes amplitudes no dinamômetro isocinético em pessoas com dor patelofemoral. MÉTODOS: Foi conduzido um estudo transversal com 100 pacientes (69% mulheres) com DPF, entre fevereiro e julho de 2024. O pico de torque de extensão do joelho em CCA foi avaliado em um dinamômetro isocinético à 60grau/s nas amplitudes 0-45; 25-70 e 45-90 graus em pessoas com DPF. A intensidade da dor foi mensurada com a escala numérica de dor (0 a 10); localização e padrão de dor pelo mapa fotográfico do joelho; e crepitação e padrão da dor autorreportada; e pico de torque do quadríceps no dinamômetro isocinético. A sequência das três amplitudes de execução foi aleatorizada e, ao final, cada participante relatou a amplitude mais confortável. A Análise de Variância (ANOVA) one-way foi utilizada para comparação de variáveis numéricas e o qui-quadrado para variáveis categóricas, assumindo significância de 5%. O projeto foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa N. 6.888.986 e todos os participantes assinaram um termo de consentimento. RESULTADOS: As três diferentes amplitudes não demonstraram diferenças na intensidade (P = 0.10), localização (P > 0.05) e padrão (P = 0.4) da dor . Houve diferença significativa na presença de crepitação (P < 0.01), pico de torque do quadríceps (P = 0.001) e amplitude de preferência (P < 0.01). A amplitude 45-90 graus teve a menor frequência de relatos de crepitação (21%). As amplitudes 25-70 e 45-90 graus tiveram o maior pico de torque e a amplitude 45-90 graus foi a mais confortável para os pacientes (44%). CONCLUSÕES: Não foram encontradas diferenças significativas na intensidade, localização e padrão de dor durante extensão do joelho contra resistência em CCA entre as amplitudes 0-45, 25-70 e 90-45 graus em pessoas com DPF. A amplitude de 45-90 graus apresentou menor proporção de relato de crepitação (21%) e maior proporção de relato como amplitude mais confortável (44%), contudo, destacamos que 56% da amostra relatou conforto em outras amplitudes. A amplitude de 0-45 graus apresentou menor pico de torque do quadríceps. Agradecemos ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo financiamento desta pesquisa. IMPLICAÇÕES: O presente estudo demonstra que não há relação entre amplitude de movimento e presença, intensidade ou padrão de dor em pacientes com DPF. Isso sugere que o ângulo de proteção é paciente-dependente e a amplitude para fortalecimento do quadríceps deve ser prescrita considerando a sintomatologia e a preferência do paciente.