INFLUÊNCIA DA VARIAÇÃO DA AMF NA HABITUAÇÃO SENSORIAL E LIMIAR DE DOR, NA APLICAÇÃO DE CORRENTE INTERFERENCIAL EM INDIVÍDUOS SAUDÁVEIS

Autores

  • LUIS FELIPE MIGUEL NAVES UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO (USF)
  • MARISTELA CAMPOS MUNER UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO (USF)
  • ANDRÉ CABRAL SARDIM UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO (USF)
  • RICARDO LUIS SALVATERRA GUERRA GUERRA UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO (USF)

Resumo

CONTEXTUALIZAÇÃO: A terapia por corrente interferencial (CI) emerge como um tratamento descomplicado, não invasivo e sem uso de medicamentos, frequentemente empregado na prática clínica da fisioterapia para mitigar a dor, especialmente de origem musculoesquelética. Quando se realiza estimulação sensitiva, especialmente utilizando correntes elétricas de frequência fixa, ocorre o fenômeno de habituação sensorial ao estímulo, que reduz a eficiência desta terapia. Isso significa que, após alguns minutos de aplicação, o paciente começa a perceber o estímulo de maneira menos intensa, podendo até deixar de senti-lo por completo. Nesse sentido, variar a frequência de modulação da amplitude (AMF) da corrente, pode minimizar a habituação sensorial. OBJETIVOS: Avaliar a efetividade da variação (Delta F) da AMF no controle da habituação sensorial e sua influência no efeito analgésico da aplicação da Corrente Interferencial. MÉTODOS: Foram selecionados 18 voluntários saudáveis, com idade entre 18 e 35 anos, de ambos os sexos. Foram realizadas duas aplicações de CI, com duração de 30 minutos cada, sendo uma com a Delta F-AMF e a outra sem. A cada 5 minutos de aplicação, a amplitude da corrente foi aumentada, caso o indivíduo referisse redução na percepção do estímulo. Foi avaliado o limiar de dor por pressão (LDP) antes, durante, imediatamente após e 15 minutos depois da aplicação da CI e, a ocorrência de habituação sensorial foi registrada pelo aumento da amplitude da corrente durante a aplicação. Projeto aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da Universidade São Francisco, parecer n. 6.923.198 / CAAE: 80822624.7.0000.5514. RESULTADOS: A comparação entre as aplicações não apresentou diferença na ocorrência de habituação sensorial (p=0.785). Em relação à alteração no LDP pré e pós aplicação, ambos os grupos apresentaram resultado significativo, mas sem diferença entre os grupos (p=0.798). Na análise do LDP 15 minutos após a aplicação, somente o grupo sem Delta F manteve o aumento em relação a avaliação pré-aplicação,  mas a variação não apresentou diferença entre os grupos (p=0,379). CONCLUSÕES: Os resultados mostraram que, em indivíduos saudáveis, a CI é capaz de gerar aumento no LDP, porém o uso da Delta F utilizada na AMF não preveniu o desenvolvimento da habituação sensorial e não interferiu na efetividade analgésica da estimulação. IMPLICAÇÕES: A CI como recurso terapêutico auxiliar apresenta boa efetividade, gerando controle da dor musculoesquelética de maneira geral. Porém, não há evidências que sustentem a programação da Delta F para minimizar a ocorrência de habituação sensorial.

Publicado

2025-08-31

Como Citar

INFLUÊNCIA DA VARIAÇÃO DA AMF NA HABITUAÇÃO SENSORIAL E LIMIAR DE DOR, NA APLICAÇÃO DE CORRENTE INTERFERENCIAL EM INDIVÍDUOS SAUDÁVEIS. (2025). Anais Do Congresso Brasileiro Da Associação Brasileira De Fisioterapia Traumato-Ortopédica - ABRAFITO, 5(1). https://seer.uftm.edu.br/anaisuftm/index.php/abrafito/article/view/2738