Influência da nadadeira na cinemática da marcha em ambiente aquático e terrestre: Um estudo de caso

Thiago Marques Dal Grande, Eduardo Henrique Zanella de Arruda, Clara Knierim Correia, Hélio Roesler, Suzana Matheus Pereira

Resumo


Objetivo: Apresentar uma descrição cinemática dos membros inferiores durante a marcha em velocidade normal (3km/h) e rápida (5km/h), em ambiente subaquático e terrestre, com e sem a utilização de nadadeiras, em um estudo de caso para que, posteriormente, possam ser utilizadas como dispositivo para a recuperação funcional da marcha em pacientes com problemas de mobilidade, decorrentes de doenças neurológicas ou lesões esportivas. Método: Foram coletados os dados cinemáticos de um indivíduo adulto, saudável e com marcha funcional. O indivíduo realizou a marcha em uma esteira terrestre descalço e, posteriormente, com nadadeiras em duas velocidades e, em seguida, realizou o mesmo procedimento em uma esteira subaquática. Resultados: Foi identificado que a utilização de nadadeiras, no meio subaquático, tende a promover uma maior amplitude no movimento dos membros inferiores, alcançando maior altura de joelho e pé durante a marcha, e maior angulação na flexão do joelho e dorsiflexão do tornozelo. Conclusão: Os achados encontrados neste estudo mostram que a utilização de nadadeiras em ambiente subaquático altera as características da cinemática da marcha, promovendo maior amplitude de movimento dos membros inferiores. Tais achados indicam que o uso de nadadeiras pode ser uma alternativa para a melhora da marcha em indivíduos com problemas de mobilidade, decorrentes de doenças neurológicas ou esportivas.


Palavras-chave


reabilitação, transtornos neurológicos da marcha, doenças do sistema nervoso

Texto completo:

P.37-40

Referências


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DOI: https://doi.org/10.17648/aces.v7n1.3505

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