Análise de discurso de gênero em Silicone Blues

Rafael De Tilio, Maria Teresa de Assis Campos, Izabella Lenza Crema, Juliana Machado Ruiz

Resumo


O objetivo dessa pesquisa foi compreender os efeitos de sentidos produzidos sobre gênero em quatro tirinhas da série Silicone Blues da cartunista Laerte. O corpus de análise foi constituído por quatro tirinhas sobre transgeneridade da série, analisadas a partir da Análise do Discurso de Michel Pêcheux. Essa pesquisa, de caráter qualitativa, foi realizada entre janeiro e abril de 2014. Silicone Blues, através do humor, propicia reflexões e critica a lógica heteronormativa compulsória que articula como indissociados: o sexo (biologia), o gênero (determinação de atitudes de homens e mulheres) e a orientação heterossexual (atração por pessoas do mesmo sexo) pressupondo características fixas, imutáveis e diferenciais para homens e mulheres. No entanto, Silicone Blues não rompe definitivamente com a heteronormatividade, mas se apresenta como uma pièce de résistance transgênera, ou seja, um desafio ao que se estipula como normal para os sujeitos.


Palavras-chave


Identidade de gênero; Pessoas transgênero; Direitos civis

Referências


Foucault M. História da sexualidade: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 2014. v.1, 175p.

Butler J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; 2015. 238p.

De Lauretis T. A tecnologia de gênero. In: Holanda HB, organizadora. Tendências e impasses: o feminismo como crítica cultural. Rio de Janeiro: Rocco; 1994, p. 206-242.

LaGata C [Balzer C], Beredo L. Informe anual del TMM 2016 [Internet]. Berlin: Transrespect versus Transphobia Worldwide; o Transgender Europ; 2016 [citado em 16 nov 2016]. 27p. (Serie de Publicaciones TvT; 15). Disponível em: https://transrespect.org/wp-content/uploads/2016/11/TvT-PS-Vol15-2016.pdf

Jesus JG. Orientações sobre identidade de gênero: conceitos e termos: guia técnico sobre pessoas transexuais, travestis e demais transgêneros, para formadores de opinião [Internet]. Brasília, DF: Ed. do Autor; 2012 [citado em 16 nov 2016]. Disponível em: http://www.sertao.ufg.br/uploads/16/original_ORIENTA%C3%87%C3%95ES_POPULA%C3%87%C3%83O_TRANS.pdf?1334065989

Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (Brasil). Relatório de violência homofóbica no Brasil: ano 2013 [online]. Brasília, DF: Secretaria Especial de Direitos Humanos; 2016. [citado em 16 nov 2016]. Disponível em: http://www.saude.sp.gov.br/resources/ses/perfil/cidadao/homepage-new/outros-destaques/lgbt-comite-tecnico-de-saude-integral/textos-tecnicos-e-cientificos/relatorio_violencia_homofobica_2013.pdf

Nogueira SNB, Aquino TA, Cabral EA. Dossiê: a geografia dos corpos das pessoas trans [Internet]. Brasil: Rede Trans Brasil; 2017. [citado em 28 jan 2017]. Disponível em: https://storage.googleapis.com/wzukusers/user-31335485/documents/5a468580e124dwhI7Exh/redetransbrasil_dossier.pdf

Peres WS, Toledo LG. Dissidências existenciais de gênero: resistências e enfrentamentos ao biopoder. Rev Psicol Polít. 2011; 11(22):261-77.

Ministério da Saúde (Br). Portaria nº 2.836, de 1º de Dezembro de 2011. Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (Política Nacional de Saúde Integral LGBT) [Internet]. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2011 [citado em 27 jan 2017]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt2836_01_12_2011.html

Brasil. Decreto n. 8.727, de 28 de abril de 2016. Dispõe sobre o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero de pessoas travestis e transexuais no âmbito da administração pública federal direta, autárquica e fundacional [Internet]. D.O.U.,Brasília, DF, 29 de abr 2016 [citado em 27 jan 2017]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Decreto/D8727.htm

Teodoro HGS, Cogo D. Comunicação e transgeneridade: a imagem midiática do crossdressing na experiência de Laerte Coutinho. Temática. 2015; 11(7):84-100.

Vargas AL. A invenção dos quadrinhos autorais: uma breve história da arte da segunda metade do século XX. História, Histórias. 2016; 4(7):25-37.

Graça R. Performatividade e política em Judith Butler: corpo, linguagem e reivindicação de direitos. Perspect Filos. 2016; 43(1):21-38.

Pêcheux M. Semântica e Discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Campinas: UNICAMP; 2014. 317p.

Martins SO. Análise do discurso. RCA, Rev Cient Ajes. 2011; 2(3):67-76.

Orlandi EP. Análise do discurso: princípios e procedimentos. Campinas: Pontes; 2013. 100p.

Althusser L. Ideologia e aparelhos ideológicos do Estado (notas para uma investigação). In: Zizek Z, organizador. Um mapa da ideologia. Rio de Janeiro: Contraponto; 2010. p. 105-143.

Maingueneau D. A análise do discurso e suas fronteiras. Matraga. 2007; 14(20):13-37.

Gomes AMT. Do discurso às formações ideológicas e imaginárias: análise do discurso segundo Pêcheux e Orlandi. Rev Enferm UERJ. 2007; 15(4):555-62.

Soares AFS. A construção da identidade sexual: travesti, a invenção do feminino. EID&A. 2012; 2:5-14.

Pessoa DS. “Eu sou gente!”. Representações d@s (tr@ns) gêneros em veículos midiáticos – o caso Laerte Coutinho. [dissertação]. Viçosa, MG: Universidade Federal de Viçosa; 2015. 162p.

Alencar M. A invasão dos piratas do Tietê. In: Mendes T, organizador. Humor paulistano: a experiência da Circo Editorial. São Paulo: SESI-SP; 2014. p. 337-405.

Kogawa J. Qual via para a análise do discurso?: uma entrevista com Jean-Jacques Courtine. Alfa. 2015; 59(2):407-17.

Campuzano G. Recuperação das histórias travestis. In: Cornwall A, Jolly S. Questões de sexualidade: ensaios transculturais. Rio de Janeiro: ABIA; 2008. p. 100-132.

Rocha MV, Sá IR. Transexualidade e o direito fundamental à identidade de gênero. RIDB. 2013; 2(3):2337-64.

Lourenço ACS, Artemenko NP, Bragaglia AP. A objetificação feminina na publicidade: uma discussão sob a ótica dos estereótipos. In: XIX Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste; Vila Velha, ES; 2014. São Paulo: Intercom; 2014. p.1-15.

Pêcheux M. Análise automática do discurso (AAD69). In: Gadet F, Hak T, organizadores. Por uma análise automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Campinas: UNICAMP; 1997. p. 61-161.

Pêcheux M. O mecanismo do (des)conhecimento ideológico. In: Zizek Z, organizador. Um mapa da ideologia. Rio de Janeiro: Contraponto; 2010. p. 143-152.

Moura AG. Sobre corpos, sexo, desejo e performatividade: a desconstrução de gênero nos trabalhos de Laerte. Fronteras, Rev Ciênc Soc Humanid. 2014; 1(2):5-22.

Barros FS. Laerte em trânsito: como vive, como pensa e com quem anda o cartunista que decidiu ser mulher em caráter experimental. Piauí. 2013; 79:16-25.




DOI: https://doi.org/10.18554/refacs.v6i4.3283

Apontamentos

  • Não há apontamentos.