Como o trabalho precarizado na saúde afeta o modo de nascer: revisão integrativa sobre violência obstétrica

Maria Carolina Pádua Pinto Naques Faleiros, Nayara Hakime Dutra Oliveira

Resumo


O presente estudo tem por objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura, de artigos publicados na plataforma LILACS, e, baseada no método histórico dialético, estabelecer uma relação entre a precarização das relações trabalhistas na saúde, com os altos índices de violência obstétrica sofrida pelas gestantes nas maternidades brasileiras. Foi feito um levantamento, realizado no período de junho a agosto de 2018, dos artigos publicados com o índice “violência obstétrica” e “trabalho precarizado”, considerando o período de 2013 a 2017. Os resultados consideraram 14 artigos e, apontaram que é possível estabelecer uma relação entre a precarização do trabalho e a prática da violência obstétrica, perpassando pelos campos da categoria trabalho na concepção marxiana, a construção histórica do modelo atual de saúde no Brasil e as formas de apropriação dos profissionais da saúde no trabalho de parto e no corpo da mulher.


Palavras-chave


Saúde da mulher; Violência contra a mulher; Parto humanizado; Obstetrícia

Referências


Diniz SG, Salgado HO, Andrezzo HFA, Carvalho PGC, Carvalho PCA, Aguiar CA, et al. Violência obstétrica como questão para a saúde pública no Brasil: origens, definições, tipologia, impactos sobre a saúde materna, e propostas para sua prevenção. J Hum Growth Dev. [Internet]. 2015 [citado em 05 ago 2018]; 25(3):377-6. DOI: http://dx.doi.org/10.7322/jhgd.106080

Lessa S, Tonet I. Introdução à filosofia de Marx. São Paulo: Expressão Popular; 2008.

Marx K. O capital. São Paulo: Nova Cultural; 1996. t.1, v.I

Pereira P. Necessidades humanas: subsídios à crítica dos mínimos sociais. 6ed. São Paulo: Cortez; 2011. p.83

Souza AB, Silva LC, Alves RN, Alarcão ANJ. Fatores associados à ocorrência de violência obstétrica institucional: uma revisão integrativa da literatura. Rev Ciênc Méd. [Internet]. 2016; 25(3):115-28. Disponível em: https://seer.sis.puc-campinas.edu.br/seer/index.php/cienciasmedicas/article/view/3641

Martinelli ML. O trabalho do assistente social em contextos hospitalares: desafios cotidianos. Revista Serv Soc Soc. [Internet]. 2011 [citado em 08 ago 2018]; 107:497-508. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/sssoc/n107/07.pdf

Aguiar JM, Oliveira AFPL, Schraiber LB. Violência institucional, autoridade médica e poder nas maternidades sob a ótica dos profissionais de saúde. Cad Saúde Pública. [Internet]. 2013 [citado em 16 ago 2018]; 29(11):2287-96. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00074912

Leal SYP, Lima VLA, Silva AF, Soares PDFL, Santana LR, Pereira A. Percepção de enfermeiras obstétricas acerca da violência obstétrica. Cogitare Enferm. [Internet]. 2018 [citado em 08 ago 2018]; 23(2):e52473. DOI: http://dx.doi.org/10.5380/ce.v23i1.52473

Rodrigues FAC, Lira SVG, Magalhães PH, Freitas ALV, Mitros VMS, Almeida PC. Violência obstétrica no processo de parturição em maternidades vinculadas à Rede Cegonha. Reprod Clim. [Internet]. 2017 [citado em 05 ago 2018]; 32(2):78-84. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.recli.2016.12.001

Andrade PON, Silva JQP, Diniz CMM, Caminha MFC. Fatores associados à violência obstétrica na assistência ao parto vaginal em uma maternidade de alta complexidade em Recife, Pernambuco. Rev Bras Saúde Mater Infant. [Internet]. 2016 [citado em 08 ago 2018]; 16(1):29-37. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1806-93042016000100004

Pedroso CNLS, López LC. À margem da humanização? Experiências de parto de usuárias de uma maternidade pública de Porto Alegre/RS. Physis. [Internet]. 2017 [citado em 08 ago 2018]; 27(4):1163-84. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0103-73312017000400016

Sena LM, Tesser CD. Violência obstétrica no Brasil e o ciberativismo de mulheres mães: relato de duas experiências. Interface Comum Saúde Educ.[Internet]. 2017 [citado em 12 ago 2018]; 21(60): 209-20. DOI: https:// doi.org/10.1590/1807-57622015.0896

Castro CM, Azevedo AFP. Narrativas sobre parto domiciliar planejado após parto hospitalar. REFACS [Internet] 2018 [citado em 05 ago 2018]; 6(1):53-62. DOI: https://doi.org/10.18554/refacs.v6i1.2794

Rodrigues DP, Alves VH, Penna LHG, Pereira AV, Branco MBLR, Silva LA. A peregrinação no período reprodutivo: uma vivência no campo obstétrico. Esc Anna Nery Rev Enf. [Internet]. 2015 [citado em 10 ago 2018]; 19(4):614-20. DOI: https://doi.org/10.5935/1414-8145.20150082

Tesser CD, Knobel R, Andrezzo HFA, Diniz SD. Violência obstétrica e prevenção quaternária: o que é e o que fazer. Rev Bras Med Fam Comunidade. [Internet]. 2015 [citado em 18 ago 2018]; 10(35):1-12. DOI: http://dx.doi.org/10.5712/rbmfc10(35)1013

Zanardo GLP, Calderón Uribe M, Nadal AHR, Habigzang LF. Violência obstétrica no Brasil: uma revisão narrativa. Psicol Soc. (Online). [Internet]. 2017 [citado em 02 ago 2018]; 29: e155043. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1807-0310/2017v29155043

Barbosa LC, Fabbro MRC, Machado GPR. Violência obstétrica: revisão integrativa de pesquisas quantitativas. Av Enferm. [Internet]. 2017 [citado em 17 ago 2018]; 35(2):190-207. DOI: 10.15446/av.enferm.v35n2.59637

Silva NM, Muniz HP. Vivências de trabalhadores em contexto de precarização: um estudo de caso em serviço de emergência de hospital universitário. Estud Pesqui Psicol. [Internet]. 2011 [citado em 20 ago 2018]; 11(3):821-40. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-42812011000300006&lng=pt&nrm=iso

Mota AES, Gomes L, Bravo MIS, Teixeira M, Marsiglia RMG, Uchôa R. Serviço social e saúde: formação e trabalho profissional. São Paulo: Cortez; 2007. 408p

Ribeiro MCSA, Barata RB, Almeida MF, Silva ZP. Perfil sociodemográfico e padrão de utilização de serviços de saúde para usuários e não-usuários do SUS – PNAD 2003. Ciênc Saúde Colet. [Internet]. 2006 [citado em 20 ago 2018]; 11(4):1011-22. Disponível em: https://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S1413-81232006000400022&script=sci_arttext

Brenes AC. História da parturição no Brasil: século XIX. Cad Saúde Pública. [Internet]. 1991 [citado em 01 ago 2018]; 7(2):135-49. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v7n2/v7n2a02.pdf

Sanfelice CFO, Abbud FSF, Pregnolatto OS, Silva MG, Shimo AKK. Do parto institucionalizado ao parto domiciliar. Rev RENE. [Internet]. 2014 [citado em 18 ago 2018]; 15(2):362-70. DOI: 10.15253/2175- 6783.2014000200022

Parto do Princípio. Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa. Violência obstétrica: “Parirás com dor”. Dossiê elaborado pela Rede Parto do Princípio para a CPMI da Violência Contra as Mulheres [Internet]. 2012 [citado em 15 ago 2018]. Disponível em: https://www.senado.gov.br/comissoes/documentos/SSCEPI/DOC%20VCM%20367.pdf

D’Orsi E, Bruggemann OM, Diniz CSG, Aguiar JM, Gusman CR, Torres JA, et al. Desigualdades sociais e satisfação das mulheres com o atendimento ao parto no Brasil: estudo nacional de base hospitalar. Cad. Saúde Pública. [Internet]. 2014 [citado em 17 jul 2018]; 30(Supl):S154-68. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00087813

Norman AH, Tesser CD. Obstetrizes e enfermeiras obstetras no Sistema Único de Saúde e na Atenção Primária à Saúde: por uma incorporação sistêmica e progressiva. Rev Bras Med Fam Comunidade. [Internet]. 2015 [citado em 25 ago 2018]; 10(34):1-7. Disponível em: DOI: http://dx.doi.org/10.5712/rbmfc10(34)1106

Organização Mundial da Saúde. Declaração da OMS sobre taxas de cesáreas [Internet]. Genebra: Organização Mundial da Saúde; [2015][citado em 15 ago 2018]. Disponível em http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/161442/3/WHO_RHR_15.02_por.pdf

Barbosa GP, Giffin K, Ângulo-Tuesta A, Gama AS, Chor D, D’Orsi E, et al. Parto cesáreo: quem o deseja? Em quais circunstâncias. Cad Saúde Pública. [Internet]. 2003 [citado em 08 ago 2018]; 19(6):1611-20. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v19n6/a06v19n6.pdf

Anais da 8ª Conferência Nacional de Saúde; 1986 Mar 17-21; Brasília, DF [Internet]. Brasília, DF: Centro de Documentação do Ministério da Saúde;1987 [citado em 15 ago 2018]. 430p. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/0219VIIIcns.pdf




DOI: https://doi.org/10.18554/refacs.v7i3.3757

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.