Protocolos laboratoriais para observação de espículas de esponjas: assembleia moderna e material sedimentar
DOI:
https://doi.org/10.18554/acbiobras.9257Palavras-chave:
Porifero, Demospongiae, Micropaleontologia, Paleoambientes, Dados proxyResumo
As esponjas de água doce (Porifera: Demospongiae) possuem esqueleto formado por estruturas silicosas microscópicas denominadas espículas, incluindo gemoscleras com elevado potencial taxonômico. Após a morte da esponja, essas estruturas podem permanecer preservadas por longos períodos em depósitos sedimentares, constituindo importantes proxies paleoambientais e micropaleontológicos. Espículas já foram registradas em depósitos arenosos, siltosos e turfosos. Nas últimas duas décadas, pesquisas utilizando espículas de esponjas para reconstruções paleoambientais cresceram significativamente. O protocolo tradicional para obtenção de lâminas permanentes destinadas à microscopia óptica baseia-se na dissolução da matéria orgânica com ácido nítrico (HNO₃ 65%) aquecido. Entretanto, pesquisadores têm enfrentado dificuldades para adquirir e manter estoques desse reagente, devido ao controle exercido pelo Exército Brasileiro em razão de seu uso na fabricação de explosivos. Além disso, seu elevado poder corrosivo representa riscos durante a manipulação. Como alternativa, foi testada a substituição do ácido nítrico por peróxido de hidrogênio (H₂O₂, 130 volumes). A comparação entre ambos os métodos de oxidação não revelou diferenças qualitativas sob microscopia óptica. Assim, considerando a maior facilidade de aquisição e o menor potencial corrosivo do peróxido, o protocolo proposto constitui uma alternativa viável para pesquisas com esponjas atuais e espículas preservadas em sedimentos.
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