Acessibilidade e qualidade de vida de pessoas em situação de rua e a atenção primária

Autores

  • Lauro José Franco Melo Médico. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo-USP, Ribeirão Preto, SP, http://orcid.org/0000-0001-9125-0408
  • Francisca Bruna Arruda Aragão Enfermeira. Mestra em Saúde do Adulto e da Criança pela Universidade Federal do Maranhão. Doutoranda do Programa Inter Unidades da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto/SP http://orcid.org/0000-0002-1191-0988
  • José Henrique da Silva Cunha Terapeuta Ocupacional. Acupunturista. Especialista em Saúde do Adulto na modalidade Residência Multiprofissional. Mestre em Atenção à Saúde. Doutorando do Programa de Enfermagem Psiquiátrica da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto/SP, http://orcid.org/0000-0002-4255-6125
  • Tânia Gomes Carneiro Enfermeira. Doutora em Saúde Pública. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Ribeirão Preto, SP, http://orcid.org/0000-0002-6056-3476
  • Regina Célia Fiorati Terapeuta Ocupacional. Doutora em Ciências. Docente no Curso de Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Ribeirão Preto, SP, http://orcid.org/0000-0003-3666-9809

DOI:

https://doi.org/10.18554/refacs.v10i1.5051

Palavras-chave:

Pessoas em situação de rua, Vulnerabilidade em saúde, Vulnerabilidade social, Disparidades nos níveis de saúde, Determinantes sociais da saúde

Resumo

Trata-se de um estudo transversal do tipo exploratório e descritivo, de abordagem quali-quantitativa, realizado em 2018, na cidade de Ribeirão Preto, São Paulo, com objetivo de conhecer condições de saúde e o acesso à atenção primária à saúde das pessoas em situação de rua. As técnicas de coleta de dados foram: análise documental, aplicação de questionário sociodemográfico, de qualidade de vida (WHOQOL-Bref) e entrevistas semiestruturadas audiogravadas. Os dados quantitativos receberam tratamento por estatística descritiva e os dados qualitativos foram interpretados seguindo a análise de conteúdo temática. Participaram 60 pessoas na fase quantitativa e 15 pessoas na fase qualitativa. Os resultados referentes aos dados sociodemográficos obtiveram o seguinte perfil: gênero masculino (85%); 50% pardos, 28,3% brancos e 20% negros; solteiros (48,3%), com primeiro grau incompleto (58,3%) e 10% analfabetos; na renda, 36,6% recebem até R$ 100,00 por mês e 60,0% até 1 salário mínimo. Entretanto, observa-se que 53,3% realizam trabalho informal e 30% se encontram desempregados. As médias foram regulares ou ruins em todos os domínios de qualidade de vida. No domínio “físico” a média foi 62,6%, no “psicológico” 64%, em “relações sociais” 35,6%, e no “ambiental”, 41,6%. Na autoavaliação sobre qualidade de vida, a média encontrada foi de 51,5%. Emergiram quatro categorias: "Política pública de saúde em Ribeirão Preto"; "Autoavaliação das condições de saúde-doença"; "Avaliação do acesso e assistência à saúde"; e "Barreiras ao acesso à Atenção Primária à Saúde. O acesso é restrito aos serviços de saúde e em geral não ocorre na atenção primária e sim nos serviços de urgência e emergência, tem como dificultadores: ausência de políticas públicas específicas, exigência de comprovante de residência e documentação, desumanização, e atitudes preconceituosas por parte de alguns profissionais de saúde.

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Publicado

2021-12-19

Edição

Seção

Artigos originais