Da mente ao corpo
como a cultura molda a depressão
DOI:
https://doi.org/10.18554/refacs.v14i00.8802Palavras-chave:
Depressão, Cultura, Saúde Mental, Enfermagem TransculturalResumo
Objetivo: analisar criticamente como a cultura molda a expressão clínica e simbólica da depressão e discutir suas implicações para a prática da enfermagem transcultural. Método: Revisão narrativa sem restrição temporal, de caráter reflexivo e interpretativo, realizada nas bases PubMed, Scientific Electronic Library Online e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde em dezembro de 2025. Foram incluídos estudos teóricos e empíricos que abordassem dimensões culturais, simbólicas e comunicacionais da depressão, com ênfase em comparações transculturais. A análise seguiu leitura compreensiva e comparativa, organizada em quatro eixos: manifestações psicológicas versus somáticas; aculturação e identidade; religiosidade e corporeidade; e implicações para o cuidado de enfermagem. Resultados: foram considerados sete artigos organizados em quatro blocos: América Latina e Europa: entre mente e corpo, razão e afeto; África e Europa: corporalidade do sofrimento e cosmologias de equilíbrio; América do Norte e Ásia: alexitimia cultural, regulação emocional e aculturação; Rússia e Austrália: apoio social, resiliência e significados culturais do sofrimento. Identificaram-se padrões consistentes de variação transcultural na expressão da depressão. Sociedades ocidentais tendem à psicologização do sofrimento, enquanto asiáticas, africanas e latino-americanas expressam a dor emocional por meio do corpo e da espiritualidade. A aculturação mostrou-se fator ambivalente, capaz de intensificar sintomas ou gerar novas formas de adaptação simbólica. Identidade étnica e apoio social emergiram como fatores protetores. Conclusão: a depressão é uma experiência moldada por valores e linguagens culturais. Reconhecer essa diversidade permite à enfermagem transcultural oferecer cuidados mais empáticos, dialógicos e culturalmente competentes, integrando dimensões biológicas, espirituais e comunitárias do sofrimento humano.
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