REESCRITURAS DE ANTÍGONA E FACES MODERNAS DO TRÁGICO

Autores

  • Sonia Aparecida Vido Pascolati

DOI:

https://doi.org/10.18554/rs.v2i02.34

Resumo

Em meio ao desenrolar da Segunda Guerra Mundial e pouco após o seu fim, dois dramaturgos resgatam o mito de Antígona celebrizado pelo texto clássico de Sófocles, redesenhando o perfil da heroína e reescrevendo as motivações e o desenvolvimento da ação dramática. Jean Anouilh, adotando a perspectiva da Resistência francesa à ocupação alemã, cria em Antigone (1942) uma personagem obstinada em defender um ideal de pureza quando os demais estão dispostos a transigir em nome da manutenção da ordem. O alemão Bertolt Brecht denuncia direta e profundamente as motivações econômicas da guerra de Hitler, colocando a protagonista de A Antígona de Sófocles (1948) em franca oposição a um Creonte que claramente remete ao insano ditador alemão. As reescrituras do texto sofocliano não só emprestam novos contornos a Antígona, como também provocam uma reflexão instigante quanto ao lugar do trágico e da tragédia no mundo moderno assolado pela guerra. As novas faces de Antígona delineadas em Antigone e A Antígona de Sófocles são também novas faces do trágico, possíveis pela recontextualização do mito clássico. Portanto, neste trabalho, pretendo apontar algumas dessas novas faces surgidas a partir do resgate de uma figura mitológica em tempos de destruição da humanidade e do humano.

PALAVRAS-CHAVE: tragédia; trágico; Antígona; Sófocles; Jean Anouilh; Bertolt Brecht.

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