A juventude em disputa: representações históricas, protagonismo juvenil e BNCC
DOI:
https://doi.org/10.18554/cimeac.v16i1.9156Resumen
Este artigo analisa as representações históricas sobre a juventude e a apropriação do conceito de protagonismo juvenil pela BNCC do Novo Ensino Médio. Parte da hipótese de que, ao ser articulado ao Projeto de Vida, às competências, à autonomia, à escolha, à flexibilidade curricular e ao mundo do trabalho, o protagonismo juvenil deixa de se vincular prioritariamente à participação crítica e coletiva e passa a operar no campo da autogestão individual. Por meio de análise bibliográfica e documental, o texto examina autores, documentos curriculares e pesquisas sobre juventude brasileira, evidenciando que a juventude foi historicamente representada ora como ameaça ou problema a ser governado, ora como promessa de renovação e força de transformação social. Argumenta-se que, na BNCC, o protagonismo é recontextualizado por uma racionalidade neoliberal, convertendo-se em responsabilização individual, adaptabilidade e empreendedorismo de si. Dados sobre trabalho, renda, escolarização e desigualdades juvenis tornam problemática qualquer concepção de Projeto de Vida desvinculada das condições concretas de existência. Como contraponto, Paulo Freire permite compreender a autonomia como processo histórico, ético e coletivo, e não como autogestão da precariedade. Conclui-se que o protagonismo juvenil, embora possa apontar para uma formação democrática, tende, na BNCC, a operar como pedagogia da responsabilização, exigindo dos jovens a administração individual de contradições estruturais que não produziram. Permanece, portanto, a pergunta: qual protagonismo, para quais juventudes e em nome de qual projeto de sociedade?
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