Sincronizadas, batemos nossas asas:
Vozes que ressoam em luta contra o feminicídioIO
DOI:
https://doi.org/10.18554/it.20.6221Resumo
Em entrevista concedida em 2021 a Heloisa Buarque de Hollanda, Taily Terena, Márcia Wayna Kambeba e Marize Vieira de Oliveira vocalizam suas experiências enquanto mulheres indígenas em luta por questões urgentes aos territórios aldeados do Brasil. A defesa pelos direitos humanos das comunidades indígenas é um ato de resistência que caminha em direção contrária à omissão do Estado, especialmente em relação à violência contra as mulheres. Nesse sentido, cotejamos as falas dessas três guerreiras com a obra literária Mulheres empilhadas (2019), da escritora brasileira Patrícia Melo, que tematiza o feminicídio de uma maneira simultaneamente dura e poética. A partir do caso de Txupira – estuprada, torturada e assassinada por três homens representantes da sociedade acreana –, a narradora do romance compartilha com as mulheres das aldeias fictícias Kuratawa e Ch’aska uma jornada identitária de emancipação e protagonismo feminino. Com base em teóricas feministas de política decolonial, como María Lugones (2008; 2010), María Galindo (2013) e Françoise Vergès (2019), destacamos as estratégias narrativas de Mulheres empilhadas, mirando à expansão das potencialidades da literatura de autoria feminina. Para tanto, refletimos sobre como se constitui o processo de tripla narração da obra e atentamos especificamente para o caso de Txupira, a fim de ressaltar aspectos históricos da colonização e da colonialidade da América Latina e das idiossincrasias do território brasileiro. Portanto, dialogamos interseccionalmente com a demanda dos feminismos decoloniais e a temática do feminicídio – elementos estruturantes de Mulheres empilhadas, uma narrativa representante da ascensão da literatura de autoria feminina no cenário brasileiro contemporâneo.
PALAVRAS-CHAVE: Mulheres empilhadas; Patrícia Melo; literatura brasileira; literatura de autoria feminina; violência contra a mulher.
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