Gênero, genérico, trans: a natureza da linguagem através de seu terceiro termo disruptor: Transgenre, de Aaron Hammes
DOI:
https://doi.org/10.18554/it.v18i00.8778Resumo
Esta resenha visa discutir e apresentar o livro TransGenre, escrito por Aaron Hammes, da Case Western Reserve University. A obra se propõe a pensar gênero literário em relação a gênero social. A rubrica-fenômeno trans guia a reflexão através de seus limites, potencialidades, agências (“atos de fala”) e interdições. O conceito de gênero menor de literatura também é questionado e pensado a partir de seus méritos e relações limítrofes, os quais permitem a reconstrução e o questionamento das conformações discursivas que afetam as subjetividades e agências individuais e sociais. Apesar do aspecto de disputa no qual se situam, as literaturas menores não são necessariamente emergentes ou visam se consolidar em relação aos padrões adjacentes previamente consagrados. Não está em questão ser inscrito ou reconfigurar a tradição, mas antes, lidar com e instrumentalizar as políticas e epistemologias que simultaneamente oprimem e empoderam sujeitos e discursos. O gênero menor e sua correspondente literatura podem ativar o transgênero, alterar as tessituras discursivas e reconformar enunciados, discursos e subjetividades. Reformar e transgredir fazem parte dos fenômenos transgêneros que deslocam e reposicionam as radicais políticas de determinação e auto-determinação.

