Conscientização histórica, cidadania política e educação dos afetos: o ensino de história nas comunidades eclesiais de base (1970-1980)
DOI:
https://doi.org/10.18554/cimeac.v16i1.9093Resumo
O artigo analisa o ensino de História promovido pelas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) no Brasil entre as décadas de 1970 e 1980, destacando sua relação com a teologia da libertação, a educação popular e a formação da consciência histórica das classes populares. Parte-se da compreensão de que o ensino de História não se restringe ao espaço escolar, sendo produzido também por instituições religiosas, movimentos sociais e práticas culturais que disputam os sentidos do passado na vida social. Nesse contexto, investiga-se como a Igreja Católica, por meio das CEBs, elaborou e difundiu uma memória histórica de caráter religioso, subalterno e anticolonial, orientada para a conscientização política e a transformação social. O estudo analisa materiais didáticos, cartilhas e publicações produzidas por agentes pastorais e intelectuais ligados à teologia da libertação, evidenciando a centralidade de narrativas históricas voltadas à valorização das lutas populares, da resistência dos oprimidos e da crítica ao colonialismo, ao imperialismo e às desigualdades sociais. Além disso, discute-se como esse processo educativo articulou uma educação dos afetos baseada na compaixão, na indignação e na esperança, mobilizando sujeitos para a ação coletiva e para a construção de uma cidadania participativa e igualitarista. Conclui-se que o ensino de História nas CEBs desempenhou papel relevante na formação política de amplos setores populares e na constituição de movimentos sociais que participaram do processo de redemocratização brasileira.
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