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A Revista Triângulo adota o sistema de publicação quadrimestral. 

  • Vol 21 n.4 2024 O(s) modo(s) e forma(s) de se compreender e ensinar a(s) África(s): refletindo sobre ensino e seus métodos.

    2024-03-01

    O continente africano tem sido representado, compreendido e descrito a partir de diferentes modos e formas ao longo do tempo na sociedade brasileira. Especialmente nos últimos trinta anos, ele se constituiu como ponto de interesse para alguns setores, notadamente comunidades tradicionais e alas expressivas dos movimentos sociais. Na atualidade, apresenta-se como baliza para a construção das identidades de grupos e se constitui como ponto central de reivindicações diversas, que tem na ideia de raça o lastro principal. Conforme Mudimbe (2019; 2023), a África é tributária de uma biblioteca colonial, que traz consigo as ideias diretamente ligadas ao estado de natureza selvagem, destituída de mudanças, movimentos e aspectos civilizacionais. Na perspectiva hegeliana, a África não tem movimentos, portanto, não possui história (Hegel, 1999). Soma-se aos descalabros a ideia de que a África se define pelos equipamentos biológicos dos sujeitos, como se todos que lá vivessem fossem passíveis de serem compreendidos como pertencentes a um só grupo, povo, etnia ou raça. Aqui temos, portanto, o principal aspecto do que se nomeia como África brasileira, mama África (ZAMPARONI, 1995; 2007; REZENDE, 2022) ou a África essencializada, congelada no tempo e no espaço. Esta representação é dotada de razoável poder, a ponto de estar presente em narrativas que pretendem transmitir versões romantizadas da história do continente, a exemplo de algumas produções cinematográficas, como a Pantera Negra (Black Panther, 2018).

    De modo geral, esta tem sido a tônica das representações sobre a África, ou da África, nas salas de aula, seja em acepções positivas, lastreadas em versões essencializadas e/ou idealizadas, ou nas versões em que o continente se torna, quando muito, mero fornecedor de mão de obra escrava para as economias de plantations do contexto posterior ao século XVI (LIMA, 2018). A questão que deve ser posta ao debate é assaz perturbadora: é possível dispor de meios e métodos que, em alguma medida, tomem representações que disponham de maior aderência com a pluralidade sócio-histórica cultural existente do outro lado do Atlântico? E ainda, é possível lançar mão de outros mecanismos que rompam com as dicotomias que enclausuram o continente em dimensões anacrônicas, reféns dos discursos da raça, ou de um atraso atávico, que em nada condizem com as dinâmicas e protagonismos dos seus mais diversos povos?

    Seguindo o escopo da Revista Triângulo, cuja prioridade é divulgar o conhecimento científico e incentivar o debate acadêmico, este dossiê tem por objetivo refletir sobre as diferentes possibilidades do ensino de África nas mais diversas áreas do conhecimento. O dossiê visa compreender as visões críticas de um continente definido ora pelos discursos que preconizam por uma dimensão essencializada e homogênea do sujeito africano, ora por versões que retiram dos seus muitos países as dinâmicas e os protagonismos típicos do fazer cultural. Serão bem-vindos trabalhos que remetam às análises sobre o ensino de África nas diferentes áreas das humanidades.

    Submissão até o dia 25/10/2024.

    Avaliação por dois pareceristas anônimos 25/11/2024. 

    Previsão de publicação entre 25/12/2024 a 25/01/2025

    Coordenação:

    Dr. Ivaldo Marciano de França Lima (UNEB - DEDC II)      ivaldomarciano@gmail.com

    Dra. Márcia Cristina Lacerda Ribeiro (UNEB DCH-VI)     mclribeiro400@gmail.com   

    Dr. Rodrigo Casto Rezende (UFF- Campos dos Goytacazes) rcrezende@id.uff.br

    Referências

    BLACK Panther. Direção de Ryan Coogler. Marvel Studios, Walt Disney Pictures, 2018.

    HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Filosofia da História. Brasília: UNB, 1999.

    LIMA, Ivaldo Marciano de França. Representações da África no Brasil. Novas Interpretações. Recife: Bagaço, 2018.

    MUDIMBE, V. Y. A Invenção de África. Gnose, Filosofia e a Ordem do Conhecimento. Petrópolis: Vozes, 2019.

    MUDIMBE, V. Y. A ideia de África. Petrópolis: Vozes, 2023.

    Os discursos sobre África e a identidade negada no Brasil: o papel da União Africana na constituição de um continente. Revista África [s], v. 9, p. 11-47, 2022.

    ZAMPARONI, Valdemir. A África e os Estudos Africanos no Brasil: passado e futuro.

    Ciência e Cultura, vol. 59, n. 02, p. 46 – 49, 2007.

    ZAMPARONI, Valdemir. Os Africanos no Brasil: Veredas. Revista Educação Pública

    Vol. 04, n. 05, p. 105 – 124, 1995.

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  • vol 20 n.1 2025 Título do Dossiê: Da educação básica à formação docente: tecendo sentidos para o Ensino de Biologia

    2024-02-01

    Detalhes da proposta:

    Que sentidos e entrelaçamentos para o Ensino de Biologia estão sendo tecidos em contextos formativos desde a educação básica até a formação de professores? Este dossiê é uma expansão das reflexões, interações, conexões, proposições e problematizações que nasceram no VI Encontro Regional de Ensino de Biologia (EREBIO) organizado pela regional 4 da Associação Brasileira de Ensino de Biologia (SbenBio) e sediado pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) em setembro de 2023. Nesta organização, tem-se como desejo conhecer e divulgar relatos de experiências, empíricos e teóricos de professores (as) pesquisadores (as) sinalizando sentidos que estão sendo atribuídos, construídos, desenvolvidos e reinvindicados para o Ensino de Biologia. É uma iniciativa que parte das reflexões realizadas no contexto do VI EREBIO, mas que se compromete em criar um espaço discursivo de maior detalhes e profundidade acerca da concretude experienciada e sistematizada por esses autores e autoras que atuam no Ensino de Biologia. Reunindo neste dossiê alguns contornos para esse campo de conhecimento e atuação.

    Data limite para submissão: 04/08/2024, avaliação 04/09/20224 previsão de publicação 10/01/2025. 

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