PRESSUPOSTOS FREIRIANOS E ABORDAGENS CURRICULARES NA EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS E BIOLOGIA NA EJA: AS RELAÇÕES PRESENTES NA PRODUÇÃO ACADÊMICA BRASILEIRA (2000-2019)

Autores

  • Renato Antônio Ribeiro Universidade Federal de Goiás Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática (PPGECM – UFG) http://orcid.org/0000-0002-5770-7846
  • Simone Sendin Moreira Guimarães Universidade Federal de GoiásPrograma de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática (PPGECM – UFG)
  • Rones de Deus Paranhos Instituto de Ciências Biológicas - Dpto. Educação em Ciências - Universidade Federal de Goiás

DOI:

https://doi.org/10.18554/rt.v14i3.5705

Palavras-chave:

Pressupostos freirianos, Currículo, Ensino de Ciências/Biologia na EJA.

Resumo

Na perspectiva de marginalização da constituição histórica da modalidade, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) vem se engendrando como um fecundo campo de pesquisa na área educacional nas últimas décadas. Este artigo apresenta um estudo de revisão que objetiva realizar o levantamento de dissertações e teses desenvolvidas entre 2000 e 2019 para analisar de que forma estas produções utilizam as ideias freirianas no desenvolvimento das pesquisas que tenham como objeto o currículo de Ciências/Biologia na EJA. As produções analisadas trazem indícios do uso da epistemologia freiriana nas pesquisas que envolvem o currículo da EJA, inclusive o de Ciências/Biologia para a modalidade. Destacam-se nas produções pressupostos freirianos como o diálogo, os temas geradores e o saber de experiência feito. Todavia, é preciso considerar suas formas de apropriação a fim de não contribuir para o reprodutivismo teórico de Freire nas produções acadêmicas.

Biografia do Autor

Renato Antônio Ribeiro, Universidade Federal de Goiás Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática (PPGECM – UFG)

Doutorando no Programa de Pós-graduação em Educação em Ciências e Matemática (UFG-2018); Mestrado Interdisciplinar em Educação, Linguagem e Tecnologias (UEG-2014); Especialização em Tecnologias aplicadas ao ensino de Biologia (UFG-2011); Graduação em Ciências Biológicas - Licenciatura (UEG-2005); Professor atuante na Educação de Jovens e Adultos no ensino de Ciências (Ensino Fundamental) e Biologia (Ensino Médio) pela SEDUCE-GO e em Instituições de Ensino Superior com disciplinas de Formação de Professores; Integrante do Grupo de Pesquisa Colligat: (re)pensando a formação de professores de Ciências e Biologia e do Fórum Goiano de Educação de Jovens e Adultos.

Simone Sendin Moreira Guimarães, Universidade Federal de GoiásPrograma de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática (PPGECM – UFG)

Doutora em Educação Escolar - Formação de Professores pela Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" - UNESP (Campus Araraquara) (2010), Mestre em Educação - Ensino de Ciências pela Universidade Metodista de Piracicaba - UNIMEP (2003), Especialista em Educação Ambiental e Recursos Hídricos pela Universidade de São Paulo - USP (São Carlos) (2001) e licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Metodista de Piracicaba - UNIMEP (1998). Atualmente é professora Associada I do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Goiás (UFG). É coordenadora do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas (2019/2021) e professora do Programa de Pós-Graduação (Stricto Sensu) em Educação em Ciências e Matemática (PPGECM) da UFG. Coordena o Grupos de Pesquisa Colligat - (re)pensando a formação de professores de ciências na natureza. Tem experiência na área de Educação, com ênfase na Formação de Professores de Ciências e Biologia, atuando principalmente nos seguintes temas: História e Filosofia da Ciência/Biologia; Ensino de Ciências e Biologia; Educação de Jovens e Adultos.

 

Rones de Deus Paranhos, Instituto de Ciências Biológicas - Dpto. Educação em Ciências - Universidade Federal de Goiás

Doutor em Educação pela Universidade de Brasília - Faculdade de Educação (2017). É Mestre em Educação em Ciências e Matemática pela Universidade Federal de Goiás (2009) e Licenciado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Goiás - Campus Jataí (2004). Professor do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática (PPGECM - UFG). Professor da Universidade Federal de Goiás (Departamento de Educação em Ciências - Instituto de Ciências Biológicas). É Vice-Diretor do Instituto de Ciências Biológicas (ICB-UFG). É membro fundador do Grupo de Estudos e Pesquisas Colligat - repesando a formação de professores ciências e biologia; membro do grupo de Estudos e Pesquisas TRABEDUC (Trabalho Docente e Educação Escolar); Coordenador da Rede de Pesquisa em Ensino de Ciências na Educação de Jovens e Adultos (REPEC-EJA).

Referências

ANTUNES, R. O privilégio da servidão [recurso eletrônico]: o novo proletariado de serviços na era digital. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2018.

ARROYO, M. G. Currículo, Território em Disputa. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.

AULER, D.; DALMOLIN, A. M. T.; FENALTI, V. Abordagem temática: temas em Freire e no enfoque CTS. Alexandria: Revista de Educação em Ciência e Tecnologia, Florianópolis, v.2, n.1, p.67-84, 2009.

FREIRE, P. Extensão ou comunicação? 7ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1983.

FREIRE, P. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011.

FREIRE, P. Pedagogia da indignação. 1. ed. São Paulo, Editora Unesp, 2014.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 1. ed. - Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2013.

FREIRE, P. Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar. 24. ed. rev. e atual. - Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2015.

GADOTTI, M. Convite à leitura de Paulo Freire. São Paulo: Editora Scipione Ltda, 1989.

GAMBOA, S. S. Tendências epistemológicas: dos tecnicismos e outros “ismos” aos paradigmas científicos. In: FILHO, J. C. S.; GAMBOA, S. S. (org.). Pesquisa educacional: quantidade-qualidade. 8ed. São Paulo: Cortez, 2013. p. 59-82.

GHIGGI, G. Paulo Freire e a revivificação da Educação Popular. Educação, Porto Alegre, v. 33, n. 2, p. 111-118, maio/ago. 2010.

HAGUETTE, A. Ecletismo e pluralismo. Revista Educação em Debate, Fortaleza, Ano 14, n. 21 e 22, p. 117-127, 1991.

IBGE. Pesquisa Anual por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-Contínua 2019), 2020. Disponível em: <https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101736_informativo.pdf>

LAFFIN, M.H.L.F.; SANCEVERINO, A.R. Um olhar sobre produção acadêmica em educação de jovens e adultos. Perspectiva, Florianópolis, v 38, n. 1 – p. 01-07, jan./mar. 2020.

LOPES, A. C.; MACEDO, E. Teorias de currículo. São Paulo: Cortez, 2011.

MACHADO, M. M. A educação de jovens e adultos no Brasil pós-Lei nº 9.394/96: a possibilidade de constituir-se como política pública. Em Aberto, Brasília, v.22, n.82, p. 17-39, nov., 2009.

MACHADO, M. M. A política de formação de professores que atuam na educação de jovens e adultos em Goiás na década de 1990. 2001. 231f. Tese (Doutorado em Educação) Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: História, Política, Sociedade, 2001. São Paulo.

MACHADO, M. M. Formação de professores para EJA: uma perspectiva de mudança. Revista Retratos da Escola, v. 2, n. 2-3, p. 161-174, 2008.

MACHADO, M. M. Quando atrofiar e desqualificar são condições para manutenção da subalternidade. Cad. Pesq., São Luís, v. 26, n. 4, p. 156-168, out./dez. 2019.

MAURÍCIO, S. S. Reflexões sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a educação de jovens e adultos. Revista de Educação Popular, v. 19, n. 2, p. 43-63, 1 set. 2020.

MORTIMER, E. F. Uma agenda para a pesquisa em educação em ciências. Rev. Bras. Pesq. Educação em Ciências, v.2, n.1, p.36-59, 2002.

PARANHOS, R. D. Ensino de Biologia na Educação de Jovens e Adultos: o pensamento político-pedagógico da produção científica brasileira. 229f. Tese (Doutorado - Doutorado em Educação). Faculdade de Educação - Universidade de Brasília. 2017.

PARANHOS, R.; CARNEIRO, M. H. Ensino de biologia na educação de jovens e adultos: distribuição da produção científica e aspectos que caracterizam o interesse intelectual de um coletivo de pesquisadores. Revista Contexto & Educação, v. 34, n. 108, p. 269-286, 28 jun. 2019.

ROMANOWSKI, J. P.; ENS, R. T. As pesquisas denominadas do tipo "estado da arte" em educação. Diálogo Educ., v.6, n.19, p.37-50, 2006.

RUMMERT, S. M. A Educação de Jovens e Adultos Trabalhadores brasileiros no Século XXI. O “novo” que reitera antiga destituição de direitos. Revista de Ciências da Educação, 2, pp. 35 50, 2007.

TEIXEIRA, P. M. M.; MEGID-NETO, J. A Produção Acadêmica em Ensino de Biologia no Brasil – 40 anos (1972–2011): Base Institucional e Tendências Temáticas e Metodológicas. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, v.17, n.2, p.521-549, 2017.

VENTURA, J. P. O Planfor e a educação de jovens e adultos trabalhadores: a subalternidade reiterada. 2001. 122f. Dissertação (Mestrado em Educação) Universidade Federal Fluminense. PPGE (Faculdade de Educação). 2001. Rio de Janeiro.

VILANOVA, R. MARTINS, I. Educação em Ciências e Educação de Jovens e Adultos: pela necessidade do diálogo entre campos e práticas. In: Ciência e Educação, v. 14, n.2, p. 331- 346, 2008.

Downloads

Publicado

2021-12-27

Como Citar

RIBEIRO, R. A.; MOREIRA GUIMARÃES, S. S.; PARANHOS, R. de D. PRESSUPOSTOS FREIRIANOS E ABORDAGENS CURRICULARES NA EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS E BIOLOGIA NA EJA: AS RELAÇÕES PRESENTES NA PRODUÇÃO ACADÊMICA BRASILEIRA (2000-2019). Revista Triângulo, Uberaba - MG, v. 14, n. 3, p. 142–163, 2021. DOI: 10.18554/rt.v14i3.5705. Disponível em: https://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/revistatriangulo/article/view/5705. Acesso em: 17 jan. 2022.