“Ô mãe olha como me olham”
inquérito policial tenta criminalizar pixações em empena "Deus é mãe" no centro de Belo Horizonte. O que diz negrodramapoesia?
DOI:
https://doi.org/10.18554/rt.v19iEsp.1.7882Palavras-chave:
Pixação, Arte, Polícia, Racismo, NegrodramapoesiaResumo
O texto apresenta o embrolho envolvendo a tela “Deus é mãe”, do artista Robinho Santana, feita no contexto do festival de arte pública CURA, em BH, em 2021, que foi pintada em empena no centro da cidade de Belo Horizonte e tem pixos numa espécie de moldura da pintura de uma mulher negra com uma criança nos braços e outra levada pela mão. Foi aberto, por conta da presença do pixo na tela, um inquérito policial na tentativa de criminalizar o artista, o festival e os pixadores. Para pensar no racismo institucional dessa tentativa de criminalização, percorreremos o texto de Neusa Santos Souza e de Freud, quando fala acerca do mal estar na cultura. O rap Negro Drama, dos Racionais MCs, é a chave de leitura tanto da empena, quando das pixações, quanto da defesa e desse texto. O negro drama, lido com o texto de Maria Gabriella Lansol “Onde vais, drama poesia?”, nos diz do pixo como escrita, como negrodramapoesia, muito distante do texto policial, que é punitivista e racista.
Referências
FOLHA DE SÃO PAULO. Com pichação como moldura mural é investigado em inquérito policial em BH. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/01/com-pichacao-como-moldura-mural-e-investigado-em-inquerito-policial-em-bh.shtml>.
FREUD, Sigmund. O mal-estar na cultura. Porto Alegre, RS: L&PM, 2010.
LLANSOL, Maria Gabriela. Onde Vais, Drama-Poesia? Lisboa: Relógio D’Água Editores, 2000.
Racionais MC’s. “Negro Drama”. In: Nada como um dia após outro dia. São Paulo, SP: 2002. Áudio.
Racionais MC’s. Sobrevivendo no Inferno. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se Negro. Ou As vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. Rio de Janeiro, RJ: Zahar, 2021.
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