Memórias fossilizadas em meio ao despertar de emoções no museu dos dinossauros
DOI:
https://doi.org/10.18554/rt.v18iEsp.2.8307Palavras-chave:
Educação em espaços não formais, Emoções, Museu de CiênciasResumo
O cenário educacional brasileiro é repleto de transformações vividas por seus estudantes em diferentes momentos de sua formação. Ao considerar os diversos espaços de formação, é imperativo compreender as perspectivas emocionais experienciadas durante seu processo formativo. Para isso, é preciso compreender que esses processos ocorrem em todo e qualquer ambiente. Sejam eles em ambientes de educação formal ou de educação não formal, como é o caso de museus, centros de ciências, zoológicos, parques, entre outros espaços. A presente pesquisa investigou visitas escolares mediadas ao Museu dos Dinossauros (MD) da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Em um recorte de pesquisa qualitativa, analisamos nesse texto a visita de duas participantes, estudantes do ensino fundamental II de uma escola pública de Uberaba-MG, que se dispuseram a participar da pesquisa voluntariamente. O intuito foi identificar e discutir aspectos emocionais manifestados pelo público escolar durante a visita, a fim de compreender a contribuição desse espaço como meio de popularização dos conhecimentos científicos. Em âmbito metodológico, adotamos entrevistas semiestruturadas com os participantes antes e após a visitação; observação e registros da visita; gravação em áudio e vídeo utilizando uma câmera GoPro; uso de um oxímetro de pulso para levantamento de manifestações fisiológicas e, por fim, o método de lembrança estimulada para melhor compreensão das respostas emocionais despertadas nas interações dos participantes com as exposições. Os dados foram analisados a partir de referenciais que discutem a temática emoções e museus de ciências. Destacamos entre os achados da pesquisa, em convergência com a literatura, que o MD tem grande potencial para propiciar a manifestação de emoções no público visitante, em particular: surpresa, contentamento e ansiedade, sendo um ponto a ser atentado na formação dos mediadores. Ademais, foi possível perceber também que o espaço pode contribuir com a alfabetização científica dos visitantes, uma vez que o MD proporciona ao público vivenciar e discutir temas relevantes das ciências com os mediadores e construírem suas opiniões de forma ativa, com maior embasamento e contestação.
Referências
ANTONIO, Vanderson Esperidião; COLOMBO, Marilia Majeski; MONTEVERDE, Diana Toledo; MARTINS, Glaciele Moraes; FERNANDES, Juliana José; ASSIS, Marjorie Bauchiglioni de; BATISTA, Rodrigo Siqueira. Neurobiologia das emoções. Archives of Clinical Psychiatry, São Paulo, v.35, n. 2, p. 55-65, 2008. DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-60832008000200003
ARAUJO, Saulo de Freitas. O Nome e a Coisa: Sobre as Origens da Psicologia Como Ciência. Estudos e Pesquisas em Psicologia, Rio de Janeiro, v. 21, n. 3, p. 1220-1248, set./dez. 2021. DOI: https://doi.org/10.12957/epp.2021.62739
BELLOCCHI, Alberto. Methods for Sociological Inquiry on Emotion in Educational Settings. Emotion Review, Austrália, vol. 7, n. 2, p. 1-6, abr. 2014. DOI: https://doi.org/10.1177/1754073914554775
CHAIKLIN, Seth; PASQUALINI, Juliana Campregher. A zona de desenvolvimento próximo na análise de Vigotski sobre aprendizagem e ensino. Psicologia em estudo, Maringá, v.16, n. 4, 659-675, out./dez. 2011. DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-73722011000400016
DAMÁSIO, António. O erro de Descartes: emoção, razão e cérebro humano. 1. ed. São Paulo: Cia. das Letras, 2000. 303p.
EKMAN, Paul. A linguagem das emoções. Tradução Carlos Szlak. São Paulo: Lua de Papel, 2011.
EKMAN, Paul. Emotions revealed: recognizing faces and feelings to improve communication and emotional life. 1. ed. New York: Times Books, 2003.
FALCÃO, Douglas; GILBERT, John. Método da lembrança estimulada: uma ferramenta de investigação sobre aprendizagem em museus de ciências. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 12, p. 93-115, 2005. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-59702005000400006
FALK, John Howard; DIERKING, Lynn Diane. Learning from museums: Visitor experiences and making of meaning. 1. ed. Reino Unido: AltaMira Press, 2000. 288p.
GUSMÃO, Sebastião; SILVEIRA, Roberto Leal; FILHO, Guilherme Cabral. Broca e o nascimento da moderna neurocirurgia. Arquivos de neuropsiquiatria, São Paulo, v. 58, n. 4, p.1149-1152, 2000. DOI: https://doi.org/10.1590/S0004-282X2000000600028
MUSEUM Definition. Extraordinary General Assembly of ICOM. Plataforma ICOM - International Council of Museums. Praga, República Checa: 2022. Disponível em: https://icom.museum/en/resources/standards-guidelines/museum-definition/ . Acesso em: 19 jun. 2024.
GUILHARDI, Hélio José. Auto-estima, auto-confiança e responsabilidade. In: BRANDÃO, Maria Zilah; CONTE, Fátima Cristina de Souza; MEZZAROBA, Solange Maria Beggiato. Comportamento Humano: Tudo (ou quase tudo) que você gostaria de saber para viver melhor. Santo André: ESETec Editores Associados, 2002. cap. 4, p. 63-98.
KÖPTCKE, Luciana Sepúlveda. Observar a experiência museal: uma prática dialógica? In: FUNDAÇÃO Oswaldo Cruz. Casa de Oswaldo Cruz. Museu da Vida. Avaliação e estudos de público de museus e centros de ciência. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2003. p. 5-21.
MARANDINO, Martha; CONTIER, Diana; NAVAS, Ana Maria; BEZERRA, Alessandra; NEVES, Ana Luisa Cerqueira das Controvérsias em Museus de Ciências: Reflexões e Propostas para Educadores. 1. ed. São Paulo: FEUSP, 2016. 52 p.
PIRES, Sérgio Fernandes Senna. Existem emoções básicas? In: Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. IBRALE - Educação Socioemocional. Brasília, 19 de abril de 2011. Disponível em: https://ibrale.com.br/face-emocoes/ . Acesso em: 19 jun. 2024.
RIBEIRO, Luis Carlos Borges; WINTER, Cecilia Verena Pérez.; MARTINELLI, Agustín Guilhermo; MACEDO NETO, Francisco.; TEIXEIRA, Vicente Paula Antunes. O patrimônio paleontológico como elemento de desenvolvimento social, econômico e cultural: Centro Paleontológico Price e o Museu dos Dinossauros, Peirópolis, Uberaba (MG). In: CARVALHO, Ismar de Souza; GARCIA, Maria Judite; STROHSCHOEN Jr., Oscar; LANA, Cecília Cunha (Org.). Paleontologia: cenários de vida. Paleoclimas. v. 5. Rio de Janeiro: Interciência, 2011. p. 765-774.
RICHARDSON, Roberto Jarry; TAVARES, M. Metodologias qualitativas: teoria e prática. 1. ed. Curitiba: Editora CRV, 2015. 408p.
SCALFI, Graziele; MASSARINI, Luisa; GONÇALVES, Waneicy; MARANDINO, Martha. Emoções e Museus de Ciência: Um Estudo com Visitas de Famílias ao Museu de Microbiologia do Instituto Butantan, São Paulo. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, São Paulo, v. 22, p. 01–38, jan./dez. 2022. DOI: https://doi.org/10.28976/1984-2686rbpec2022u11091146
SILVA, Maria Bethania Moreira Carvalho; COLOMBO JUNIOR, Pedro Donizete. Descortinando o Museu dos Dinossauros: Narrativa Interpretativa Para Além de sua Exposição. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, v. 23, e44582, 2023, p. 1–27. DOI: https://doi.org/10.28976/1984-2686rbpec2023u11111137
WAGENSBERG, Jorge. Princípios fundamentais de la museologia científica moderna. Alambique: Didáctica de las Ciência Experimentales, Barcelona, n.26, p.15-19, jun. 2000.
VENTURA, Magda Maria. O estudo de Caso como modalidade de pesquisa. Pedagogia médica, Rio de Janeiro, v.20, n.5, p.383-386, set./out. 2007.
ZANA, Brigitte. History of the museums: The mediadores and scientific education. SISSA - International School for Advanced Studies, Itália, v.4, n.4, p.1-6, dez. 2005.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Revista Triângulo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NoDerivatives 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos: Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
