ABSTRATIZAÇÃO DE [TENER QUE + V-INF] NA HISTÓRIA DO ESPANHOL PENINSULAR
DOI:
https://doi.org/10.18554/ri.v13i1.4728Palavras-chave:
Diacronia, Espanhol peninsular, Perífrase modal, Tener que.Resumo
Neste trabalho, analisamos o desenvolvimento diacrônico dos significados modais da construção perifrástica [tener que + V-infinitivo] no espanhol peninsular. Recorremos aos pressupostos teórico-metodológicos da gramaticalização clássica (HOPPER; TRAUGOTT, 2003) e buscamos comprovação para a hipótese de mudança que prevê que, no domínio da modalidade, valores epistêmicos, por serem mais abstratos, emergem na língua a partir de valores não-epistêmicos (BYBEE et al., 1994). Para tanto, analisamos dados diacrônicos dos séculos XIII ao XIX, disponíveis na plataforma CORDE (Corpus Diacrónico del Español), considerando, na análise da perífrase, o domínio semântico de modalidade (inerente, deôntico, epistêmico e volitivo) e a orientação do valor modal (para o participante, para o evento e para proposição) (HENGEVELD, 2004), correlacionados à animacidade do sujeito da construção modal. Os resultados das análises mostram que a expressão de valores epistêmicos é, de fato, temporalmente mais tardia que a dos valores não-epistêmicos e emerge na construção associada a sujeitos inanimados. Com base nos resultados, comprovamos que os valores modais da perífrase seguem um processo de abstratização diacronicamente atestado.Referências
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